Você sabe o que significa ser doula?

Doula

Você sabe o que significa ser doula?

A palavra Doula vem do grego e significa “aquela que serve”. Hoje usamos o termo para descrever uma acompanhante de parto experiente e treinada que fornece à mulher e seu companheiro (a) um suporte emocional contínuo, conforto físico e assistência em obter informação antes, durante e após o parto.

            No pré natal a Doula tem a função principal de educar a gestante, o casal, a gestante e o companheiro(a), seja quem estiver acompanhando-a. A Doula auxilia a mulher a adquirir a informação que ela precisa para tomar suas decisões a respeito de como, com quem e onde parir; ajuda a gestante a compreender a fisiologia do parto, as alterações que estão ocorrendo com ela e com o bebê durante a gestação, ajuda a compreender as necessidades emocionais e físicas de uma mulher durante o período gravídico, ajuda na elaboração do plano de parto, entre outras coisas. No pré natal a Doula atua muito como uma educadora, educando a gestante e seu companheiro(a) no que diz respeito aos aspectos físicos, fisiológicos e emocionais.

            Durante o trabalho de parto e parto a Doula permanece ao lado da mulher durante todo o processo, fornecendo apoio emocional, medidas de conforto físico (massagens, água, posturas, ou seja, medidas não farmacológicas para alívio da dor), ela facilita a comunicação entre a mulher em trabalho de parto (TP), seu parceiro (a) e a equipe que à assiste.

            No pós parto ela auxilia nos primeiros cuidados com o bebê, na amamentação, no suporte e apoio para a puérpera, que muitas vezes se ve carente de cuidados, sendo a Doula uma fonte de cuidados e de amor nesse período tão difícil que é o puerpério. No pós parto ela também passa informações para que a puérpera também possa compreender melhor esse período pelo qual está passando.

             No Brasil, a ocupação de doula foi reconhecida em 31/01/2013 na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) pelo Ministério do Trabalho na condição de tecnólogos e técnicos em terapias complementares e estéticas, sob o número 3221-35.

            O apoio contínuo intraparto, na figura da Doula, tem sido amplamente registrado pela literatura. Recentemente foi publicado um estudo de Hodnett e colaboradores (2012), o qual consiste a maior e mais relevante revisão sistemática sobre suporte contínuo ao parto, que resume a experiência de mais de 15 mil mulheres que participaram de 21 estudos randomizados. Os autores concluíram que o suporte contínuo durante o TP possui benefícios clínicos significativos para mulheres e recém nascidos e não causa prejuízo algum, e que todas as mulheres deveriam ter apoio de uma doula durante o trabalho de parto.

            A revisão observou também que as mulheres acompanhadas por doulas, que não eram da equipe hospitalar, apresentaram 28% a menos de chance de passar por uma cesárea; 31% a menos de chance de usar ocitocina sintética para acelerar o parto; 9% a menos de chance de usar medicação para dor e 34% a menos de chance de considerar a experiência de parto negativa.

            O suporte oferecido por uma pessoa que a mulher selecionou de seu círculo social (por exemplo, seu parceiro, marido, amiga ou outro membro da família) aumentou a satisfação em relação ao parto mas não teve impacto no que tange às intervenções obstétricas (Hodnett et al. Continuous support for women during childbirth. Cochrane Database Syst Rev. Author manuscript; available in PMC 2014 September 25. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4175537/pdf/emss-58484.pdf

            Barron e colaboradores (1988) avaliaram 40 mulheres de baixa renda, e o estudo mostrou que mulheres que tiveram apoio pós-parto de doulas amamentar por mais tempo, não importando a opinião da doula a respeito da amamentação e  amamentaram por quase o dobro do tempo em relação a mulheres que não obtiveram esse apoio.

            Berry e colaboradores (1988) observaram os pais durante o trabalho de parto. O Estudo levantou que pais estão quase sempre muito estressados e emocionalmente envolvidos na experiência do parto para darem suporte eficiente (em inglês, o termo usado é “labor coaches”). O estudo observou o comportamento de 40 pais durante o trabalho de parto de suas esposas. Eles apenas auxiliaram nos exercícios respiratórios durante o pico do trabalho de parto. Os pais perderam mais tempo tentando disfarçar seus sentimentos e se preocupando com sua falta de utilidade, o que pode demonstrar que a Doula tem um papel bem específico no suporte intra parto, deixando assim o pai ser também o protagonista, deixando que ele possa apenas estar ali para se fazer presente e, se for o caso, apenas segurar a mão da parturiente

            Em um estudo randomizado que envolveu 264 partos, Gordon e colaboradores, (1999) mostrou que mulheres atendidas por doulas durante o trabalho de parto tiveram significantemente menos uso de anestesia peridural e estiveram mais significantemente propensas a avaliar sua experiência de parto como boa do que as mulheres que não foram atendidas por doulas.

            Hodnett, (1999) reuniu quatorze experimentos clínicos com mais de 5000 mulheres, e obsrvou que a presença contínua de uma pessoa encarregada de apoio/suporte (incluindo enfermeiras, obstetrizes, preparadoras de parto, doulas, amigos ou membros da família), reduziram as chances de episiotomia, cesárea, Apgar de 5 minutos menor que 7 e medicação para alívio da dor, assim como ligeira redução na duração do trabalho de parto.

            Mulheres atendidas no trabalho de parto por uma monitora perinatal (doula) usaram menos medicamentos e lembram de ter recebido mais suporte físico e emocional durante o trabalho de parto do que aquelas atendidas apenas por enfermeiras do hospital. Essas mulheres também tiveram maior taxa de períneos intactos (Hodnett e Osborn, 1989)

            E esses mesmos autores no mesmo ano, observaram que o suporte contínuo, uma-pra-um, durante o trabalho de parto, ajuda as mulheres a terem menos episiotomia, menos medicação para alívio da dor e maior senso de controle sobre seus partos (Hodnett, ED and Osborn RW. 1989. Effects of continuous intrapartum professional support on childbirth outcomes. Research in Nursing & Health 12(5):289-297.)

            Kennel e colaboradores, 1991, identificaram uma redução de: 50% nas taxas de cesárea, 40% de parto a fórceps, 60%  requisição de peridura, 40%  de outros medicamentos para dor, 25% de duração do trabalho de parto e 50%  de necessidade de ocitocina sintética.

            Em uma Revisão de literatura e meta-análise de onze estudos que tiveram a participação de doulas, mostrou que as doulas ajudaram as mãe primíparas: a terem trabalho de parto mais curto, usarem menos medicação, terem menos intervenções operatórias e menos cesáreas e amamentaram por mais tempo, tiveram maior auto-estima, menos depressão, estavam mais felizes com seus bebês e sentiram-se mais aptas a cuidar deles.  Quando doulas estavam presentes, os pais ofereceram um suporte mais pessoal à mulher em trabalho de parto (Klaus e Kennel, 1997).

Algumas cidades brasileiras já têm garantida a presença das Doulas em hospitais públicos e privados, casas de parto e etc, são elas: João Pessoa, Jundiaí, Sorocaba, Blumenau, Rondonópolis, Brasília (apenas doulas voluntárias) e Gravataí.  Está em trâmite PLs no Estado de São Paulo, nas cidades de Belo Horizonte, Campinas e Capão da Canoa, entre outras. Porto Alegre tem dois projetos de lei, um estadual e outro municipal que estão em trâmites na câmara e assembléia legislativa.

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Profª. Drª Andrea Fontoura

Doutora em Ciências do Movimento Humano pela EsEF- UFRGS,
Educadora Perinatal pela International Childbirth Education Association (ICEA)
Doula de Parto e Pós Parto pela DONA International
Coordenadora de Secretaria da Associação de Doulas do Estado do Rio Grande do Sul – ADOSUL
Contatos: (51) 9965-0076 (51)3391-8427

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