A IMPORTÂNCIA DO APOIO AS MÃES NO PÓS-PARTO – O papel da doula e dos grupos de apoio

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O pós-parto é um período de intensa mudança para o binômio mãe-bebê. Depois de curtirem os aproximadamente 270 dias da gestação, no momento do parto há uma separação física entre os corpos de ambos, mas a fusão emocional e espiritual entre eles permanece ativa.

A IMPORTÂNCIA DO APOIO AS MÃES NO PÓS-PARTO

Se por um lado a mulher está extremamente feliz e deslumbrada com aquele serzinho que ela foi capaz de gerar e dar a luz, por outro há uma vivência de luto, pela mulher que “morreu” no parto, pelo bebê idealizado que não nasceu, pelo vazio daquele ventre que antes estava preenchido pela vida de outro ser, e também pela vida de antes da maternidade, que nunca mais será a mesma.

O coquetel hormonal produzido no parto e no pós-parto somado à falta de sono e ao enfrentamento da realidade da maternidade deixa os sentimentos à flor da pele e há uma grande labilidade emocional: felicidade e tristeza, encantamento e estranhamento, confiança e medo, acolhimento e solidão…

Vários são os sentimentos que nos habitam e se manifestam quase que ao mesmo tempo nos primeiros meses de vida do bebê. Agora somos mães… Temos um ser que depende de nós para sobreviver. E a tarefa sublime da maternagem pesa os ombros e a alma!

Maternidade

Segundo Laura Gutman em seu célebre livro “A maternidade e o encontro com a própria sombra”, o pós-parto costuma ser o período de maior abertura da mulher para sua sombra, ou seja, para os conteúdos inconscientes que ela não conseguiu lidar durante sua vida.

Essa sombra vem à tona com muita intensidade e devido à fusão mãe-bebê, esse bebê costuma manifestar com sintomas todo o conteúdo emocional que a mãe não consegue verbalizar.

Porém, em um mundo que supervaloriza o físico, o que é visível e palpável, quando um bebê chora apesar de estar alimentado, trocado e aquecido, os profissionais da saúde costumam tentar achar uma razão física, sempre atribuída ao corpo do bebê. Cólica, intolerância à lactose, bebê “high-need”, etc, etc, etc.

Dificilmente os profissionais tem a sensibilidade de perceber que na maioria das vezes é a mãe que chora através do seu bebê. É ela que precisa ser cuidada para poder atender às necessidades de sua cria…

Eu tive o privilégio de ter vivenciado dois pós-partos em minha vida. Duas experiências completamente diferentes uma da outra! Na primeira vez que fui mãe eu contei com o apoio de muita leitura, de bons profissionais e do cuidado das pessoas que amo. Porém, apesar de ter muita informação, ela não passava pelo crivo da minha intuição, do meu sentir. E as coisas foram muito, muito difíceis…

Já na segunda experiência de maternidade tudo foi muito mais natural e fluído. Eu li muito também, mas agora as leituras foram na contramão das “técnicas infalíveis” que eu tinha lido na primeira vez…

Parto Humanizado

Eu descobri a humanização do parto, a maternidade consciente e ativa, a disciplina positiva, a comunicação não violenta, entre outras literaturas que me abriram as portas para a vivência de uma maternidade muito mais conectada com a minha essência.

Além das pessoas que amo, também tive o cuidado por parte da minha doula e da minha parteira, que além de serem decisivas no meu parto, também me auxiliaram na vivência de um puerpério simplesmente transformador…

A grande diferença dessa vez foi que eu passei a ouvir minha intuição e tudo fez muito sentido! Mudei meu fazer como mãe e também como profissional, apoiando mães a também vivenciarem essa maneira mais plena, autêntica e empoderada de maternar!

Além da minha experiência pessoal, minha vivência com as clientes individuais e dos grupos me fazem reconhecer dia após dia que o apoio no pós-parto faz toda a diferença na qualidade da maternagem que exercemos.

Nesse sentido, além do apoio imprescindível do companheiro (a), familiares e amigos, a doula pós-parto faz um importante papel de auxiliar a nova mãe a atravessar o mar turbulento do pós-parto para que a mulher consiga retirar o melhor desse mergulho em si mesma.

Essa profissional tem o conhecimento da parte física/fisiológica relativa às mudanças do puerpério, auxiliando a recuperação do parto, seja ele normal ou cirúrgico, além do treinamento na arte da escuta empática e do acolhimento das dores emocionais que a mulher possa apresentar, realizando os devidos encaminhamentos para outros profissionais quando necessário.

Além disso, ela dispõe de conhecimento técnico para o acolhimento do bebê, com ferramentas humanizadas nas rotinas do recém-nascido com relação à amamentação, banho, sono, choro, massagens, troca de fraldas e roupas, carregadores como sling, etc.

O papel da doula não é ensinar a mãe a maternar, mas através da sua presença, do seu apoio e dessas ferramentas, ela permite que a mulher se aproprie do seu novo papel, com mais segurança e empoderamento para fazer as melhores escolhas para seu bebê e sua família.

A doula pós-parto também acolhe o pai/companheiro (a) da criança para que ele possa dar o suporte que a mãe precisa para cuidar do bebê e auxiliar a proteger sua companheira e seu (sua) filho (a) da interferência negativa de outros familiares e/ou amigos que possam atrapalhar as dinâmicas iniciais dos pais.

Pesquisas em diversos lugares do mundo tem mostrado que o trabalho das doulas pós-parto aumentam o sucesso da amamentação e diminuem a incidência de depressão pós-parto.

Além dessa intervenção individual, outra importante fonte de apoio no pós-parto são os grupos de mães.

Com diferentes configurações e coordenados por diferentes profissionais do ciclo gravídico-puerperal, os grupos são importantes ferramentas de disseminação de informações de qualidade, apoio, carinho, empatia, reconhecimento e amizade!

Nos grupos as mulheres tem a oportunidade de ouvirem o relato de outras mulheres que estão passando por dificuldades semelhantes às suas, trocando experiências, fortalecendo suas intenções, ouvindo opiniões diferentes das suas com empatia e respeito.

É uma oportunidade também de sair de casa, mudar um pouco a pesada rotina dos primeiros meses com o bebê, encontrar-se com outras mulheres, enfim, os grupos trazem muitos benefícios para todos os envolvidos.

Atualmente, além dos atendimentos em amamentação e apoio pós-parto eu coordeno o GAIA – Grupo de Apoio, Informação e Acolhimento para Mães. O GAIA possui reuniões semanais, com temas sugeridos pelas próprias participantes numa troca de experiências e vivências dos processos de maternidade que se dá de maneira muito amorosa, respeitosa e empática. Rimos, choramos, refletimos, “exorcizamos nossos demônios” e nos acolhemos.

Além do grupo presencial, também há o GAIA virtual no Facebook, que trabalha com temáticas semanais e que cresce a cada dia com trocas igualmente maravilhosas e profundas.

Para finalizar esse texto gostaria de refletir sobre esse provérbio africano: “É preciso uma tribo inteira para criar um filho”. Sim, mães e pais conscientes fazem toda a diferença na vida de um bebê.

Mas sem apoio fica muito difícil dessa família realizar seu papel com a inteireza que ele exige. Mães e pais, busquem apoio! Familiares, amigos e sociedade em geral, acolham e permitam que as mães recebam o apoio necessário!

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Larissa Simon:

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